Tantas vezes faz renascer sonhos,
Outras, traz ilusões esquecidas!
Algumas vezes o coração amadurece,
Outras não,
Vive a se embriagar com emoções desencontradas!
Entre outras, tem os anos me levado um pouco da memória.
Poderia dizer-me de onde nos conhecemos?
Como poderia eu ter perdido na lembrança tão sensível imagem?
Não acredito tê-lo deixado entre furtivas passagens!!!
Me perco a pensar entre a música que toca
e um lamento que ecoa,
as horas do tempo em busca das cores na memória,
Em vão tento buscar no mito,
Algo que me elucide o mistério...
Jamais me esqueceria um nascer de sol tão significativo,
A menos que tivesse sido eu transformada em pedra
e não estaria o herói me enviando tal mensagem!
Permaneço aqui esperando em companhia da lua,
Minguante,
mas ainda emitindo sua luz de feitiço...
o mesmo feitiço que experimentei em suas palavras...
Assim me despeço...
Andrômeda talvez?
Palavras amordaçadas,
Sufocadas, soterradas,
Poemas insurretos,
Só sobrevivem nos sonhos.
A emoção que se esconde,
Sorrateira entre os dentes,
A lágrima indigente,
Represada, latente.
Não posso confessar que te amo !
Não devo declarar o quanto eu te quero !
Não quero mais a dor de um quem sabe ?
Pois o meu sangue hoje se arrasta
Por vias estreitas, congestionadas,
Pelos capilares já nem passam !
Por força de tantos atritos,
Conflitos, detritos...
Se insistir eu enfarto !
Melhor colar em meus lábios um sorriso,
Um que seja bastante convincente,
Mas não a ponto de ser contundente,
Senão pode soar falso
E servir de alerta aos descrentes,
Que vivem a buscar um sinal, uma fraqueza...
Que possa me denunciar.
Deixa que permaneçam desatentos,
Não posso demonstrar meu desalento,
Não posso mais dar asas a incerteza,
Ainda que a tua imagem assombre
Os meus mais íntimos desejos,
Ainda que na cabeceira de minha cama,
Permaneça o teu retrato.
Ainda sou um romântico,
Só que não mais um confesso,
Isto eu ainda não consigo evitar,
Mas este é um segredo de estado
Que a ninguém é permitido revelar.
Enquanto isto,
Qualquer lágrima será vadia,
Indigente e inconveniente,
De preferência chorada no chuveiro
Para que ninguém possa notar.