terça-feira, 16 de março de 2010

Ah... o tempo

Tantas vezes faz renascer sonhos,

Outras, traz ilusões esquecidas!

Algumas vezes o coração amadurece,

Outras não,

Vive a se embriagar com emoções desencontradas!

Entre outras, tem os anos me levado um pouco da memória.

Poderia dizer-me de onde nos conhecemos?

Como poderia eu ter perdido na lembrança tão sensível imagem?

Não acredito tê-lo deixado entre furtivas passagens!!!

Me perco a pensar entre a música que toca

e um lamento que ecoa,

as horas do tempo em busca das cores na memória,

Em vão tento buscar no mito,

Algo que me elucide o mistério...

Jamais me esqueceria um nascer de sol tão significativo,

A menos que tivesse sido eu transformada em pedra

e não estaria o herói me enviando tal mensagem!

Permaneço aqui esperando em companhia da lua,

Minguante,

mas ainda emitindo sua luz de feitiço...

o mesmo feitiço que experimentei em suas palavras...

Assim me despeço...

Andrômeda talvez?



Palavras amordaçadas,

Sufocadas, soterradas,

Poemas insurretos,

Só sobrevivem nos sonhos.

A emoção que se esconde,

Sorrateira entre os dentes,

A lágrima indigente,

Represada, latente.

Não posso confessar que te amo !

Não devo declarar o quanto eu te quero !

Não quero mais a dor de um quem sabe ?

Pois o meu sangue hoje se arrasta

Por vias estreitas, congestionadas,

Pelos capilares já nem passam !

Por força de tantos atritos,

Conflitos, detritos...

Se insistir eu enfarto !

Melhor colar em meus lábios um sorriso,

Um que seja bastante convincente,

Mas não a ponto de ser contundente,

Senão pode soar falso

E servir de alerta aos descrentes,

Que vivem a buscar um sinal, uma fraqueza...

Que possa me denunciar.

Deixa que permaneçam desatentos,

Não posso demonstrar meu desalento,

Não posso mais dar asas a incerteza,

Ainda que a tua imagem assombre

Os meus mais íntimos desejos,

Ainda que na cabeceira de minha cama,

Permaneça o teu retrato.

Ainda sou um romântico,

Só que não mais um confesso,

Isto eu ainda não consigo evitar,

Mas este é um segredo de estado

Que a ninguém é permitido revelar.

Enquanto isto,

Qualquer lágrima será vadia,

Indigente e inconveniente,

De preferência chorada no chuveiro

Para que ninguém possa notar.

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